O sal
Fui no supermercado e comprei broto de feijão, polpa de tamarindo, cogumelo e chocolate. A mulher do caixa não sabia pra que o broto de feijão servia, nem o cogumelo. Nem eu sabia que eu gostava disso, e não gostava. Aliás, nunca comi. Eu gosto do tamarindo e do chocolate, gosto de quiabo, cebola e de vomitar sorvete. É gelado, espumante e não tão nojento quanto parece. O cogumelo pronto parece lesma e eu fico com dó de todas as lesmas do mundo. Nunca joguei sal em uma lesma pra ela morrer, mas o Rafael me ensinou que jogar sal em mosquito afogado faz ele ressuscitar e é verdade. Nos mosquitos eu jogo sal, nas lesmas não. Eu fico com raiva quando estou sentada no computador e uma formiga cabeçuda passa por aqui, derrubo ela no chão, mas não tão forte que possa matá-la, eu sei que não morre pq toda hora ela está na minha mesa, me desafiando. Mas quando em dia de chuva, ou de sol, ou de frio tem uma fila de formigas carregando comida pra casa eu não piso. Não piso e não deixo ninguém pisar. É respeito... Respeito pelo trabalho, pela vida e pela formiga.Eu gosto muito de pijama, tenho muitos e uso um por dia. Queria sair no mundo de pijama, trabalhar de pijama e ir no supermercado comprar polpa de tamarindo de pijama... se fosse pra comprar cogumelo eu iria de calça jeans, bem apertada, me incomodando pra eu sair de lá logo e nunca mais pensar nas lesmas, nem no sal, nem na morte.

Nenhum comentário:
Postar um comentário