sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

O sal

Fui no supermercado e comprei broto de feijão, polpa de tamarindo, cogumelo e chocolate. A mulher do caixa não sabia pra que o broto de feijão servia, nem o cogumelo. Nem eu sabia que eu gostava disso, e não gostava. Aliás, nunca comi. Eu gosto do tamarindo e do chocolate, gosto de quiabo, cebola e de vomitar sorvete. É gelado, espumante e não tão nojento quanto parece. O cogumelo pronto parece lesma e eu fico com dó de todas as lesmas do mundo. Nunca joguei sal em uma lesma pra ela morrer, mas o Rafael me ensinou que jogar sal em mosquito afogado faz ele ressuscitar e é verdade. Nos mosquitos eu jogo sal, nas lesmas não. Eu fico com raiva quando estou sentada no computador e uma formiga cabeçuda passa por aqui, derrubo ela no chão, mas não tão forte que possa matá-la, eu sei que não morre pq toda hora ela está na minha mesa, me desafiando. Mas quando em dia de chuva, ou de sol, ou de frio tem uma fila de formigas carregando comida pra casa eu não piso. Não piso e não deixo ninguém pisar. É respeito... Respeito pelo trabalho, pela vida e pela formiga.Eu gosto muito de pijama, tenho muitos e uso um por dia. Queria sair no mundo de pijama, trabalhar de pijama e ir no supermercado comprar polpa de tamarindo de pijama... se fosse pra comprar cogumelo eu iria de calça jeans, bem apertada, me incomodando pra eu sair de lá logo e nunca mais pensar nas lesmas, nem no sal, nem na morte.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

Os sonhos andantes.

Eu não aguento mais ser perseguida em sonhos. Uma vez ou outra "vá lá", mas todo dia, não há quem aguente.
Eu vivo um filme de suspense sonhal cotidiano. Ontem mesmo, não sei porque cárgas d'água fui encontrar o cativeiro de um menino seqüestrado ha 10 anos atraz e claro, fui perseguida pelo "sei lá quem" que sequestrou o garoto. Era uma fazenda, eu fugia numa caminhonete, ora ou outra dava uma de joão-sem-braço, fazia uns planos, dava umas piscadas. Hollywood puro.
Da outra vez um cara me pediu pra vigiar umas bicicletas numa festa popular numa cidadezinha de interior, eu desobedeci, fui passear na colina e lá estava o homem atraz de mim. Sobe morro, desce morro, sobe morro, desce morro e o indivíduo na minha cola. Se pelo menos desse pra perder uns quilinhos eu não falava nada.
Só que não são só os sonhos de perseguição que me assombram. Há ainda os com animais que são um caso a parte.
Outro dia sonhei que meu pato tinha sumido. Acordei, andei pela casa procurando o tal pato chorando. Procurei no banheiro, cozinha, sala e quarto, nada do pato. No sonho seguinte o que sumiu foi um cachorro. Fiquei uns 5 minutos na janela do meu quarto olhando pra rua procurando o tal cachorro que nunca foi meu.
Não sei se é maluquice, bizarrice, atoísse ou pertubação. Cada dia da minha vida é uma página e cada noite é um livro.
Haja fôlego. Que venha a maratona desta noite, estou pronta pra correr.

As coisas boas da vida.



Eu já descobri o que eu gosto de fazer. Pular! Pular corda, pular na cama-elástica, jump, pular carniça, amarelinha, pular na cama, pular o córrego, pular nos braços de quem a gente ama, pular uma tarefa chata, pular... pular... pular. Aliás, eu nunca levei a chave pra faculdade, sempre pulei o portão.
Outro dia assistindo o jornal da tarde vi uma nova invenção que me encheu os olhos. Uma espécie de bomba de encher pneu de bicicleta adaptada para pulo, tipo aquele brinquedo pogobol dos anos 80, bem mais moderno, a cara da nova geração.
Falando em nova geração, anos 80, passado e futuro me dá uma leve impressão de que os anos estão passando de alguma forma para mim. O joelho as vezes grita, um músculo rabugento reclama, mas o pulo quer pular. E pula.
Outro dia ouvi dizer que quando não temos mais vontade de brincar é porque a criança foi embora de vez.
Não importa se é resquício de infância, fogo na bunda ou até maluquice, pule.
O tempo só passa para quem perde o entusiamo!

segunda-feira, 28 de julho de 2008

Grávidas e mais grávidas.













De tudo que fotografo, a gravidez é o que mais me comove. Amo a delicadeza, a fragilidade, a beleza e a pureza delas. Lindas.






domingo, 20 de julho de 2008

O ferro


Diz o ditado: "Quem com ferro fere, com ferro será ferido."
Eu me entusiasmo com estes ditados. Me identifico mais ainda com os que tem ferro no meio. Acredito que os ditados vem do mesmo país das anedotas, ninguém sabe, ninguém viu.

Mas voltando ao ferro e a ferida. Dói.

Eu fico espantada com a velocidade que as pessoas tem de rebater, devolver na mesma moeda, se vingar, dar o troco. Mais espantada fico em saber que essa velocidade só funciona se a coisa é do lado negro.

Seu feio. Sua horrível. Seu idiota. Sua retardada. Seu burro. Sua anta. Eu te odeio. Eu mais ainda. Eu te amo. (...). Você é lindo. (...) Percebeu a diferença?

Ninguém sabe se defender do amor, ninguém consegue lutar contra o elogio. Se o ferro, duro, forte, resistente é do lado do mau, do lado do bem deve ser o papel higiênico. Mole e sem graça. Depois de usado uma vez, não há quem queira e nem dá pra devolver.

Antes de abrir a boca e ir falando cobras e lagartos, pense se é com esses bichos que você quer mesmo conviver.

quinta-feira, 27 de março de 2008

A avalanche e a merda

Pode ser até uma falta de criatividade usar a avalanche, mas no pé que estão as coisas, mais clichê ou menos clichê não vai fazer a menor diferença. Por isso também utilizo a palavra merda. Pensei que caso eu dissesse "estou na merda" soaria violento demais. E a avalanche é tão branquinha e limpa que acaba sendo o lado bom da história, apesar de trazer em seu currículo só chumbo grosso. Bom, vamos aos fatos: pegue uma publicitária recem formada, mate o gato dela na manhã seguinte ao baile (sim, aquele gato famoso), suma a pseudo pulseira da sorte (essa pulseira merece uma história exclusiva posteriormente), queime o video-game caro do irmão chato dela + uma pitada de briguinhas familiares e conjugais e pronto. Eis a bomba. Essa sou eu!
Se eu soubesse que terminar uma faculdade fosse tão esquisito, eu tinha estudado menos e vagabundado mais. Ninguém prepara a gente pra uma latada dessa. Tá tudo despencando a toda velocidade, tem um turbilhão de coisas engolindo meu cérebro, a avalanche devastando várias das minhas expectativas e eu calma e tranquila com a cabeça atolada na merda.
Queria meu gato de volta, o gato, a Kitara e o Jindja. Eu abraçava eles e o mundo era simples... tudo termina para algo mais começar. Meu nome é Nathália Modesto Fontoura, tenho 24 anos, sou publicitária e hoje é o primeiro dia do resto da minha vida.

sábado, 16 de fevereiro de 2008

As pessoas como são.

Não sei se a fotografia aguçou minha observação em relação as pessoas, suas atitudes e seus trejeitos. Não sei se sou crítica de natureza ou se isso provém de um pai totalmente detalhista e "cricri"¹ 1 Cricri é uma pessoa chata. Bom, o fato é que o jeito das pessoas me intriga. Hoje estava vendo um programa de televisão e um músico (diga-se cantador de pagode) entrou no palco tão saltitante que eu tenho quase certeza que ele não faz isso na casa dele, na frente da vó dele. Duvido. E digo mais, se ele tem a empáfia de agir dessa maneira na frente dos amigos, ou ele teve uma influência muito duvidosa, ou ele não tem noção do ridículo que encena todos os dias. Eu torço para que seja essas coisas de artista querendo impressionar. Ainda sentada em frente a TV, assisti vários seriados e me perguntei, morrendo de inveja, o que falta em mim para eu andar, pensar e falar como Lex Luthor. Como não sai da minha boca respostas tão sinceras e inteligentes quanto as da Miranda e o que falta em minha cabeça que sobra na da Carrie. E de repente, eu senti vontade de ser outra pessoa, de andar como outra pessoa, mesmo sabendo que na frente da minha vó eu seria a Nathália e mais ninguém. Não culpei mais o pseudo-pagodeiro esquisito. Não me senti mais a vontade de colocar em dúvida as estranhezas alheias. Acho que meu espelho começou a refeltir claro demais.